POR FÁBIO SANTOS
Segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais, mais de 365 mil pessoas vivem em situação de rua no Brasil. O cenário é visível nas praças, nos sinais, sob marquises e em diferentes regiões das cidades.
Para tratar do assunto no Tribuna Livre, Carol Diamante e Zé Carlos Piotto receberam Alice Brandão, diretora de Políticas para a População em Situação de Rua, e Claudenice Rodrigues Lopes, coordenadora da Pastoral de Rua da Arquidiocese de Belo Horizonte.
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Durante a conversa, Claudenice Lopes destacou que a situação de rua está fortemente ligada a questões socioeconômicas e ao enfraquecimento de vínculos familiares. Em muitos casos, a pessoa enfrentava perdas como emprego, moradia ou apoio da família e não encontrava uma rede de suporte naquele momento. Sem essa retaguarda, as dificuldades se intensificavam.
A coordenadora da Pastoral de Rua da Arquidiocese de Belo Horizonte explicou que o uso de álcool e outras drogas, frequentemente associado ao tema, poderia surgir como tentativa de lidar com a dor em períodos de crise, mas nem sempre era a causa principal. Em diversos casos, o consumo aparecia depois, quando a pessoa já estava sem apoio e sem estrutura.
Como Belo Horizonte enfrentou os desafios do aumento da população em situação de rua?
O programa também dialogou com a Campanha da Fraternidade 2026, que trouxe a moradia como eixo central da reflexão. A discussão reforçou a necessidade de políticas públicas voltadas à população em situação de rua, com medidas que ultrapassassem o acolhimento emergencial e enfrentassem o problema de maneira estrutural.
No âmbito municipal, a diretora de Políticas para a População em Situação de Rua, Alice Brandão, afirmou que a Prefeitura de Belo Horizonte passou a tratar a situação de rua como pauta estratégica. Segundo ela, foi estruturado o projeto “Viver de Novo”, que reuniu ações em diferentes frentes.
Entre as iniciativas citadas estava a atuação de equipes de abordagem social nas nove regionais da cidade. Os profissionais realizavam atendimentos ao longo do dia, identificavam pessoas em situação de rua, escutavam relatos e avaliavam possíveis encaminhamentos. De acordo com a diretora, o serviço foi ampliado com o uso de vans e atendimentos móveis.
Também houve ampliação das vagas de acolhimento institucional para atendimentos imediatos e emergenciais. Alice Brandão destacou que a resposta ao problema não envolvia apenas a assistência social e que áreas como saúde, trabalho e habitação precisavam atuar de forma integrada.
De acordo com Alice Brandão, o município desenvolvia iniciativas inspiradas no modelo “moradia primeiro”, que previa a oferta de um local para morar como etapa inicial do processo de reconstrução da vida. A Pastoral de Rua participava como parceira na proposta. Além da moradia, políticas de emprego e geração de renda eram apontadas como importantes para a superação da situação de rua.
As informações detalhadas sobre programas, serviços, vagas de acolhimento e canais de atendimento estavam disponíveis no site oficial da Prefeitura de Belo Horizonte.
Durante o programa, os convidados aprofundaram os desafios enfrentados pela população em situação de rua, os limites das políticas emergenciais e as propostas estruturais para enfrentar o problema. O conteúdo completo, pode ser acessado na íntegra em nosso aplicativo VOX Rede Catedral.