Por Gabriela Sales
Minas Gerais aparece entre os três estados com menor índice de estupro por 100 mil habitantes no Brasil, com taxa de 25,47, segundo dados de 2025 repassados ao Ministério da Justiça. Apesar do indicador relativamente mais baixo em comparação com outras unidades da federação, os números nacionais continuam alarmantes: o país registrou mais de 83 mil casos de estupro e estupro de vulnerável no último ano, o equivalente a um crime a cada seis minutos.
Ao longo de 2025, foram, em média, 227 vítimas por dia no Brasil. Isso representa cerca de nove casos por hora. O crime de estupro é caracterizado quando alguém é constrangido, mediante violência ou grave ameaça, a manter relação sexual ou praticar ato libidinoso contra a própria vontade. Quando a vítima tem menos de 14 anos, o enquadramento é de estupro de vulnerável, conforme previsto no artigo 217 do Código Penal, com pena que pode variar de oito a 15 anos de prisão.
Os casos envolvendo menores de 14 anos representam mais de 70% do total registrado no país: foram 58.951 crianças e adolescentes vítimas em 2025. A maioria das vítimas é do sexo feminino. Em comparação com 2024, quando foram contabilizados 93.455 registros, houve queda de 11% no total de ocorrências. No entanto, quando analisados apenas os casos de estupro de vulnerável, houve aumento de 1% em relação ao ano anterior, dado que acende um alerta para a violência contra crianças e adolescentes.
Embora o número total tenha oscilado ao longo da última década, o crescimento acumulado é significativo. Entre 2015 e 2025, o volume de vítimas aumentou 72%. No início da série histórica divulgada pelo Ministério da Justiça, eram 48.125 registros.
A incidência também varia de forma expressiva entre os estados. Roraima (92,18), Mato Grosso do Sul (91,87) e Rondônia (90,76) apresentam as maiores taxas por 100 mil habitantes. No outro extremo, além de Minas Gerais, aparecem Pernambuco (25,42) e Ceará (20,60), com os menores índices proporcionais do país.
Apesar da posição menos crítica no ranking, especialistas alertam que a subnotificação ainda é um desafio, o que significa que os números oficiais podem não refletir a real dimensão do problema.